Sexta-feira, 17 de Agosto de 2018
Cidade

História dos 33 anos da Rádio Independência, Por Josivam Alves

Contada por quem entende do assunto!

Publicada em 24/05/18 às 22:15h - 157 visualizações

por Josivam Alves


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Nesta quinta-feira, 24 de maio, comemoram-se 33 anos da festa de inauguração da Rádio Independência de Catolé do Rocha. A região toda participou das solenidades naquela manhã de 24 de maio do ano de 1985. No mesmo ano, a Paraíba completava 400 anos de sua fundação e Catolé do Rocha celebrava seu sesquicentenário.

No entanto, a primeira emissora da cidade já estava no ar, em caráter experimental, desde as 17h45 do dia 13 de abril daquele ano, quando os céus de Catolé do Rocha abriam espaço para a fluência das suas ondas sonoras.

Naquele célebre momento, elas ganhavam asas, irradiavam-se e viajavam a todos os recantos da Terra. Anunciavam ao mundo a iniciativa de um jovem deputado, cuja voz, que se fazia ouvir nos lares dos sertanejos, transmitia uma mensagem de coragem para a conquista de mais liberdade e o advento de um novo tempo.

Vivia-se num período de transição da ditadura para a democracia, em que um político civil (Tancredo de Almeida Neves), pela primeira vez, depois de 21 anos, acabava de ser eleito presidente da República. E a Rádio Independência, apesar de recém-nascida, também fazia parte desse processo.

Eis o nome: Independência. A escolha estava plenamente identificada com os sonhos do seu empreendedor. Sendo a pioneira, a instalação e o funcionamento dos seus transmissores marcaram uma nova era na história e na vida dos catoleenses.

A partir de então, o mais novo e mais importante meio de comunicação da microrregião 89 levava aos inúmeros ouvintes (sintonizados através de milhares de receptores) a palavra da transformação e da mudança que se ia infiltrar na consciência do nosso povo. Tinha-se uma estação de rádio que contribuiria para derrubar a "mordaça" e dar vez e voz aos mais humildes.

Enfim, depois de tanta luta, apesar das tentativas adversárias de impedimento, a mais nova emissora do sertão entrava no ar, ainda que em fase de experiência. Nesse período de experimentação dos equipamentos, eram muitas as informações que chegavam de toda a região dando conta da qualidade do som. Essa interação com os ouvintes era necessária para que os técnicos pudessem fazer os ajustes indispensáveis.

Centenas de cartas chegavam diariamente. As pessoas escreviam dos mais distantes e diferentes lugares e elogiavam o deputado Francisco Evangelista de Freitas por ter concretizado uma das maiores aspirações do povo de Catolé do Rocha e da região. A instalação de tão importante veículo de comunicação na cidade haveria de proporcionar relevantes serviços à população. A expressão de alegria se estampava no rosto de cada catoleense.

A Rádio Independência foi projetada e montada com equipamentos da marca SNE, tendo à frente o Dr. Hekel (engenheiro eletrônico) e seu filho Rubens (técnico eletrônico), que haviam sido mandados a Catolé com essa missão pelo deputado Evangelista e pelo então governador Wilson Braga.

A emissora foi instalada para operar na frequência de 1.450 KHZ e potência de 1.000 WATTS. Alguns anos depois, foi solicitada ao Dentel e ao Ministério das Comunicações a mudança de frequência para 1.120 KHZ, elevando também 01 (um) metro de altura na antena (localizada no sítio Santíssimo). E tendo migrado ano passado para o sistema FM, deixou de ser AM, e hoje funciona na frequência de 94,7. Assim, houve melhoria em sua expansão, cobertura e qualidade de som.

No dia 10 de maio de 1.985, a Rádio Independência passou a operar em caráter definitivo, embora sua inauguração oficial tenha ocorrido 14 dias depois. Desde o início, sua programação foi elaborada e levada ao ar obedecendo às características regionais e às variações bem ao gosto do nosso público.

Desse modo, a Independência passou a promover a integração regional e projetar Catolé do Rocha numa nova dimensão, reconhecendo-a tão importante como outras cidades do sertão, a exemplo de Sousa, Cajazeiras e Patos, que desde há muito contavam com estações de radiodifusão.

O povo de Catolé passa a dispor de um canal aberto para divulgar seus pensamentos e ideais, expressando os valores de sua cultura através de muita música, esporte e notícia. Contava-se com uma unidade móvel, equipada com rádio amador (o celular ainda não existia), em que se faziam reportagens de qualquer ponto da cidade. Era a prestação de importante serviço de utilidade pública pela força da comunicação. Catolé vivia uma nova realidade.

Quando de sua programação em definitivo, em virtude de a tecnologia não ser tão avançada, como nos tempos atuais, a veiculação dos programas gravados e das propagandas se dava por meio de fita cassete, depois, por cartucheiras, através de fita magnética gravada em AKAI.

Há 33 anos ainda não havia CD. Todas as músicas solicitadas pelos ouvintes tinham de ser procuradas às pressas nos discos de vinil. Havia dois "pratos" que giravam simultaneamente para receber os discos. E os picapes, com suas agulhas, não podiam pifar. Qualquer falha causaria o que nós chamamos de "buraco".

Porém, os sonoplastas do painel de controle adquiriram uma prática impressionante. Todos eles tinham muita habilidade. Por isso, não podemos esquecer Ivan Lima, Francisco Sales de Brito (Sassá), Francisco João de Sousa Filho (Chico Paixão), Pedro de Queiroz Feitosa (Pepê), Elmano Suassuna, Mazinho (da MM Publicidade) e tantos que passaram pelo painel eletrônico nos tempos do "se vira nos 30". Hoje, o computador veio salvar a situação. O computador não é santo, mas obra milagre.

No dia 24 de maio de 1985, toda a Catolé do Rocha se transformou numa grande festa. Em se tratando de três décadas atrás, era grande a expectativa em torno da solenidade de inauguração do mais badalado meio de comunicação de nossa microrregião.

Estiveram presentes ao evento, o empresário José Carlos da Silva Júnior, do grupo São Braz, representando o então governador Wilson Braga; a primeira dama do estado e presidente da Fundação Social do Trabalho - FUNSAT, d. Lúcia Braga; o deputado Chico Pereira (de saudosa memória), representando a região de Pombal; diretor da Rádio Tabajara da Paraíba, Dr. Manoel Raposo; secretário de Educação do estado, José Loureiro; secretário de Recursos Hídricos da Paraíba, Dr. José Silvino; o advogado do estado, Johnson Gonçalves de Abrantes; o prefeito de Brejo dos Santos, Lauri Ferreira da Costa; prefeito de Riacho dos Cavalos, Raimundo Vieira da Costa; liderança política da cidade de Areia, Tião Gomes. O maior destaque foi para o deputado Francisco Evangelista de Freitas e sua esposa, Dra. Maria Emília Coutinho Torres Evangelista, os anfitriões da festa.

Nos anos seguintes, grandes e inesquecíveis festas foram promovidas nas datas de aniversário da Rádio Independência. Acontecia sempre uma festa em praça pública para o povão e outra no Clube AABB. Mais de uma vez estiveram no meio da rua, animando a festa de aniversário da emissora, dois trios elétricos de uma só vez, como o do grupo São Braz e o da Caranguejo, ambos de Campina Grande.

Esses trios, na época, geralmente, eram acompanhados de artistas como Flávio José, Capilé, Banda Show Palov e tantos outros. Já no clube, tivemos atrações como Alceu Valença, Beto Barbosa, Banda Cheiro de Amor e outros.

A Rádio Independência, no entanto, não priorizava somente os seus eventos de aniversário. Durante as festas tradicionais - profanas ou religiosas -, que movimentavam a cidade e a região, a emissora pioneira da cidade estava com sua equipe a postos.

Durante a última visita de Frei Damião de Bozzano a Catolé do Rocha, em 1986, todos os passos do "Santo do Sertão", ao lado de Frei Fernando, seu companheiro de peregrinação, foram transmitidos ao vivo. Em todas as noites de missões, os repórteres da emissora, direto da Igreja Matriz de Nossa Senhora dos Remédios, davam os informes gerais. Depois de deixar a população bem informada a respeito dos ultimatos e preparativos, para mais uma maratona católica, passava a transmitir, na íntegra, a pregação do frei capuchinho mais querido do Nordeste.

Como a Independência foi sempre marcada pelo seu espírito ecumênico, respeitando as diferenças e as preferências da população, nunca se negou a também prestar seus serviços, com a mesma atenção e respeito, às igrejas evangélicas. Todas as denominações tiveram espaço para divulgar as suas formas de pensar e de agir.

Até no aspecto político e ideológico a Rádio Independência abriu espaço para o maior e principal adversário - à época - de seu proprietário. O maior e ferrenho crítico do deputado Francisco Evangelista era (nos anos 80) o então prefeito de Catolé do Rocha, José Otávio Maia de Vasconcelos. Ambos se digladiavam (no bom sentido da palavra) como dois valentes jagunços nas quebradas do sertão.

No momento em que o prefeito José Otávio, apesar de toda a refrega, manifestou o desejo de falar ao povo de Catolé do Rocha, através dos microfones da Independência, o deputado Evangelista abriu-lhe as portas e pediu aos seus funcionários que dessem toda a assistência necessária ao gestor municipal.

Nos períodos juninos em Catolé, principalmente em relação às quadrilhas, a divulgação era feita diariamente direto dos bairros da cidade. Davam-se os detalhes das apresentações e das disputas não só entre as equipes da zona urbana e da zona rural, mas entre as disputas com quadrilhas de outros municípios, principalmente do Rio Grande do Norte.

A Independência sempre cobriu os grandes carnavais de Catolé do Rocha. A partir do primeiro grande carnaval de rua, promovido pela prefeitura municipal, em 1989, na administração do prefeito José Sérgio Maia, na Praça Sérgio Maia, em frente ao prédio do cinema, os repórteres falavam do meio da multidão.

Todos os acontecimentos eram levados ao conhecimento da população simultaneamente. Antes disso, os carnavais de clube, tanto do Tabajara Clube quanto dos outros clubes da região, como o de Olho d'Água do Milho, o de Jardim de Piranhas e o do Clube Arca de Alexandria, e tantos outros, a Independência estava sempre em cima do lance.

Uma das primeiras transmissões externas da emissora foi feita direto de palco armado ao lado da Igreja Matriz, em 1985, para transmitir o primeiro dia (seguido dos demais) da Gincana Cultural de Nossa Senhora dos Remédios, organizada por Ronildo Rocha, Frei Dimas e Irene Gomes de Alencar.

Tudo foi feito com certa pressa. Como a LP (linha permanente) solicitada não havia sido instalada, a tempo, pela antiga Telecomunicações da Paraíba - TELPA, cuja assistência aos seus usuários, na época, não era tão boa, puxamos um fio de duas pernas da mala dos microfones para o telefone de uma das casas do outro lado da avenida deputado Américo Maia. Lá, descascando as pontas de fio, conseguimos conectar no telefone do vizinho e fazer todo o trabalho de transmissão com sucesso.

Muitos profissionais da comunicação e do setor administrativo passaram pela Rádio Independência. O primeiro Diretor-superintendente da emissora, que assumiu interinamente, indicado pelo governador Wilson Braga, com a aquiescência do deputado Evangelista, foi o Dr. Manoel Raposo, que também era Diretor da Rádio Tabajara de João Pessoa. Depois, Raposo foi substituído por Edmilson de Almeida Sobrinho.

No entanto, a direção da Rádio Independência não se limitou somente aos cuidados de Dr. Edmilson. Além dele, assumiram também os Srs. Edvaldo Caetano (que anos depois seria prefeito de Catolé do Rocha), Dr. Romero Suassuna, José Cavalcante, Sandegy Suassuna e outros. Atualmente, temos como diretor o jovem Wagner Bezerra. Todos eles prestaram relevantes serviços em prol da comunicação de nossa cidade e das cidades circunvizinhas.

De início, a maior parte da Diretoria e dos locutores era constituída por profissionais da capital. O motivo maior: a experiência. Em seguida, passariam a cada um dos que ficariam em Catolé e integrariam o futuro quadro de funcionários, como e quais atividades a serem realizadas.

O diretor de programação, por exemplo, era o Sr. Roberto Carlos (de saudosa memória). Realizava todo o trabalho de orientação e distribuição do mapa da programação. O diretor comercial foi o velho radialista Eurivo Donato (Vovô), que fez o primeiro programa de saudade, intitulado a "Dona da noite", sempre das 22h00 à meia-noite. Tocava músicas da Velha Guarda e levava mensagens direcionadas aos sentimentos de amor e saudade.

Quando o velho vovô cumpriu aqui sua missão, e que foi chamado a João Pessoa para continuar seu trabalho, às vezes junto ao governador Wilson Braga, ficou em seu lugar, apresentando o programa da noite, o locutor Paulo Mesquita. Com o mesmo repertório, constituído de músicas de seresta, com muito romantismo, com as mais belas canções clássicas voltadas para o sentimento, Mesquita substituiu o nome "Dona da noite" por "Noite de saudade".

O primeiro narrador esportivo da emissora foi o radialista Arnaldo Lima, veterano da crônica esportiva cajazeirense. Apresentava também os programas de forró levados ao ar pela madrugada e à tardinha. Enquanto isso, o primeiro programa de música pop começava às 12h00, denominado de "Parada popular", e apresentado por Josivam Alves. Já a primeira dupla do repente e da viola foi formada pelos cantadores José Vieira e Diniz Holanda.

Outros cantadores importantes não deixaram de participar dos grandes programas de viola. Entre tantos, tivemos Cícero Moura, José Carrilho, Neguinho Vieira, Jonas Batista, Carlos de Lima, além de Boanerges de Oliveira e Francisco Neves, ainda hoje no ar, todas as manhãs, pela Independência.

A emissora fez a transmissão, ao vivo, do primeiro grande festival de poetas e cantadores realizado no Tabajara Clube, em Catolé do Rocha. Ao grande evento do repente e da viola compareceram os Nonatos, Ivanildo Vila Nova, Zé Cardoso, Severino Ferreira, Louro Branco, Waldir Teles, Geraldo Amâncio e muitos outros. Nessa noite a grande dupla vencedora foi encabeçada por Ivanildo Vila Nova.

O primeiro locutor a falar nos microfones da Rádio Independência, ao iniciar sua fase experimental, foi Cosme de Almeida Cardins, onde trabalhou durante alguns meses. E o primeiro sonoplasta foi Ivan Lima, da Rádio Tabajara, enquanto Pedro de Queiroz Feitosa (Pepê) e Francisco Sales de Brito (Sassá) faziam treinamento na Rádio Rural de Guarabira.

No início, os trabalhos operacionais nos transmissores, localizados à margem da PB-325 (que liga Catolé do Rocha ao contorno do Triângulo, por onde passa a BR-230), no sítio Santíssimo, ficaram sob a responsabilidade do Sr. José Evangelista de Alencar (Zé de João de Mariquinha), substituído, em seguida, pelo Sr. João Veras de Oliveira. E como o primeiro vigilante do prédio dos estúdios, situado à Rua Manoel Pedro, 304, 1º andar, o Sr. Miguel Evangelista (de saudosa memória). Depois, a função foi ocupada por Cícero e seu Josias (de saudosa memória).

Também passaram pela Independência, e não estão mais entre nós, os locutores Wanderly Gomes, Eurivo Donato e José Maria Madrid. Alguns foram embora e deles não se têm notícias, a exemplo de Léo Batista e Marcus do Recife.

Um dos momentos mais difíceis para os funcionários da Rádio Independência foi naquela tarde de 08 de março de 1990. Chegou a notícia de que grave acidente automobilístico havia ocorrido na curva do Posto de Combustível de Lavor Paixão, nas proximidades da cidade de Jericó. Dava conta de que uma caminhonete procedente daquela cidade, com três ocupantes na cabine, acabava de capotar.

Eram os ocupantes: Geraldo de Nélson, proprietário e condutor do veículo, Caboclo de seu Pedro Linhares e o radialista Wanderly Gomes, que viajava sentado próximo à porta. No momento em que o veículo se aproximou da curva, perdeu o controle e saiu da pista. Na primeira trombada do carro contra o solo, a porta abriu-se e Wanderly foi arremessado contra um barranco. O impacto foi tão violento que a vítima teve morte instantânea.

Como se tratava de um homem de rádio, e que fazia um programa musical de grande audiência, a cidade de Catolé do Rocha ficou chocada. Uma verdadeira multidão ocupou as dependências da Igreja Matriz para vê-lo no esquife pela última vez. Apesar de não ser filho de Catolé, mas pelo fato de ser uma pessoa do povo, que todos os dias visitava os lares de cada um com sua voz inconfundível, muitos choravam lamentando a sua partida.

Tempos depois, o seu horário da manhã foi ocupado pelo radialista Damião Mendes, que vindo da cidade de Patos, onde trabalhou na Rádio Panati, do ex-deputado Múcio Sátyro, e na Rádio Itatiunga, do saudoso deputado Edvaldo Motta, tornou-se, da mesma forma, amigo do povo de Catolé.

A Rádio Independência não tinha suas atividades limitadas apenas a Catolé do Rocha. Começou a fazer parte desde os primeiros dias de funcionamento, em caráter definitivo, de uma cadeia de emissoras com repercussão em toda a Paraíba. Além disso, participava dessa integração, com seu jornalismo, levando as notícias de Catolé do Rocha a milhões de pessoas.

As emissoras integradas tinham como cabeça de rede a Rádio Tabajara, emissora oficial do Governo do Estado, que comandava um programa jornalístico intitulado "Circuito Estadual da Notícia". Seu grande apresentador e âncora era o jornalista Paulo Rosendo (de saudosa memória). O CEN era levado ao ar, sempre de segunda a sexta-feira, das 06h00 às 07h00 da manhã.

O primeiro programa de consulta espiritual e de conselhos sentimentais foi apresentado pelo professor Ferreira. Muitas cartas chegavam de diversos municípios do sertão. Homens e mulheres, rapazes e moças contavam os seus problemas: casamento atrapalhado, decepção amorosa, traição, paixão, separação, desejos de reconciliação, negócios malsucedidos, viagens.

O professor Ferreira respondia aos ouvintes, "apontando soluções". Pedia para que colocassem um copo d'água em cima do rádio. Em seguida, para que bebessem do seu conteúdo, pensando no problema. Quando o problema era muito sério, pedia para que os consulentes comparecessem ao seu consultório. Situava-se na Av. Venâncio Neiva, no antigo bar Veneza, ou nas proximidades do Cassino de Xerém. O programa do professor Ferreira tinha alto índice de audiência.

O jornal falado (denominado Jornal do Sertão), o noticiário que iniciou o jornalismo na emissora, levado ao ar às 18h30, de segunda a sexta-feira (com abertura e fechamento gravados pelo radialista Bolinha, da Rádio Tabajara), teve como seus primeiros apresentadores, Arnaldo Lima, que veio emprestado da Rádio Alto Piranhas, e Gilberto Martins, que veio emprestado da Rádio Tabajara. Tal programa noticioso tinha como patrocinadores e primeiros anunciantes da emissora: a Fazenda Mendonça, de Antônio José da Silva (Major Marinete), e o Escritório de Advocacia do Dr. Ezenildo Alves da Silva.

O primeiro patrocinador anunciava que a fazenda Mendonça dispunha das melhores raças de gado PO (puro de origem). Apresentava o melhor plantel de reprodutores zebu e nelore. E que a fazenda Mendonça era vencedora de um prêmio numa exposição nacional de animais, com reconhecimento do Banco do Brasil.

Já o segundo patrocinador anunciava que o Escritório de Advocacia do Dr. Ezenildo Alves da Silva oferecia aos seus constituintes os melhores serviços advocatícios em causas cíveis, criminais e trabalhistas.

O programa religioso da Igreja Católica - Jesus Sertanejo -, idealizado por Frei Dimas e Irmã Letícia, ainda hoje no ar, iniciado há 33 anos, é o mais antigo da emissora, tendo a responsabilidade da Igreja Matriz de Nossa Senhora dos Remédios. A primeira edição foi apresentada por Frei Dimas, na época, pároco de Catolé do Rocha.

O primeiro programa de denúncias levado ao ar, em que o povo apresentava suas reclamações, por meio de cartas ou participação pelo telefone, chamou-se "Cidade Aberta". Era produzido e apresentado pelo Diretor-superintendente da emissora, Edmilson de Almeida Sobrinho.

Já em relação ao noticiário do submundo do crime, o destaque cabe mais ao radialista Noaldo Rocha, na apresentação do programa Patrulha Policial. Rocha teve grande audiência pelo estilo e os termos que usava no ar. Chamava a atenção dos ouvintes. Alguns ainda são lembrados por muita gente: "máquina de fabricar defunto", "alma sebosa", "ele botou gás na lamparina", "os meliantes", "chega chora".

E para apimentar mais ainda a crônica policial catoleense, ele inovou a maneira de se fazer programa policial. Toda a sua trajetória inicial foi na Rádio Independência. Após se profissionalizar, e se tornar um bom locutor policial, foi chamado, já faz alguns anos, para trabalhar na Rádio Progresso de Sousa, a convite do deputado Lindolfo Pires. Ainda hoje, apresenta o mesmo tipo de programa, na mesma emissora, na cidade Sorriso.

Havia prioridade também para os programas de divertimento, com a participação e presença maciça da população. Um dos destaques foi um programa de auditório que esteve durante muito tempo no ar. Era produzido e apresentado por Dr. Hildebrando Diniz Araújo e intitulado "No encontro da palmeira". Recebia esse nome porque era transmitido direto do espaço onde hoje funciona a sorveteria Mais Sabor, na praça prefeito José Sérgio Maia, e tinha um pé de palmeira bem em frente à varanda da frente, ao lado do portão de entrada.

O programa "No encontro da palmeira" era transmitido ao vivo uma vez por semana, a partir das 08h00 da noite, após o programa a Voz do Brasil. Contava com a presença de artistas de Catolé do Rocha e da região. Havia espaço garantido para todas as manifestações artísticas. Cantores, atores, poetas, declamadores, músicos, contadores de história, imitadores e calouros em geral.

O apresentador Dr. Hildebrando aproveitava para testar os conhecimentos da plateia. Assim, fazia uso da oportunidade para lançar desafios e formular perguntas de gaveta. Valia brindes e prêmios em dinheiro aos que respondessem corretamente. As consideradas mais difíceis eram as chamadas perguntas "azedas", de João Firmo Limão. Velho professor do sítio São Francisco, que não perdia um só programa de auditório. Sempre que vinha, trazia consigo uma pequena comitiva da zona rural, merecendo destaque as meninas de Zé Barreira.

O programa "No encontro da palmeira" contava sempre com a participação de muitos talentos que se tornaram inesquecíveis. Na parte instrumental tínhamos Zélio (de saudosa memória), além de Ivanildo Diniz, Assis Rosa e Netinho de Tião, que também cantavam.

Em relação às músicas de seresta, contávamos com Zeno Fixina, d. Maria Céli, José Gomes Maia (todos de saudosa memória), Genizinha, a dupla Miriam e Geni, Toinho Suassuna e tantos outros. As músicas mais interpretadas eram: "Perfídia", "Marina Morena", "Maria Betânia", "Noite ao Luar", "Fascinação". Essas eram as músicas para ouvir e sonhar.

Os demais cantores se destacavam mais na música brega e no gênero sertanejo. O que chamava a atenção eram o toque de humor e o barulho das torcidas organizadas. Elas vinham dos diversos bairros da cidade e tinham seus artistas preferidos. As torcidas mais fortes pertenciam aos bairros São Francisco (Matadouro); Santa Clara; João Pinheiro Dantas (Frente fria); Rua da Palha; Corrente; Tancredo Neves (Rocinha).

O apresentador Dr. Hildebrando anunciava quase todos pelo nome, seguido de uma comparação rimada. Por exemplo: "E agora com vocês, correndo como uma tanajura, Tijura!". Outro: "Vamos chamar para cantar, aquele que chega aqui de carreira, Zé Pereira!". Chamava: "cantando que nem um tetéu, Oriel!" A dupla Bastinha e Terezinha, filhas de seu Manoel Nicolau, do sítio Santana, anunciava assim: "Apresento para vocês as Irmãs Gavião", numa referência à dupla Irmãs Galvão.

Entre tantos outros da época, dignos de nossa atenção, como Isaías, Roberto Carlos dos Pobres e os que já foram citados, é impossível esquecer Tijura. Ele só cantava músicas de Bartô Galeno. Especializou-se nisso.

Além do mais, contava com a maior torcida, a do Matadouro, o bairro onde morava. Cantava tão bem as músicas de Bartô Galeno que, certa vez, o próprio cantor veio se apresentar no Tabajara Clube e cedeu espaço para que Tijura cantasse. Muitos chegaram a dizer que Tijura cantou melhor do que o próprio Bartô.

É importante lembrar que a Rádio Independência também deu atenção ao esporte. Depois do narrador esportivo Arnaldo Lima, o primeiro de todos, foi formada uma equipe que, além de apresentar um programa diário, fazia a transmissão de partidas de futebol ocorridas em qualquer cidade do estado. Entre os mais lembrados temos: Ricardo Brilhante (narrador esportivo), Pedro Neto/Lé (comentarista), Lenival Andrade (plantonista).

Depois de alguns anos, a Rádio Independência foi vendida ao senador paraibano Ney Suassuna, que tem raízes em Catolé do Rocha. Em seguida, voltou para as mãos do ex-deputado Francisco Evangelista de Freitas, em sociedade com os Srs. Francisco Fabrício de Oliveira Neto e Jânio Cidalino de Almeida, que recentemente venderam suas partes a Evangelista, hoje, único proprietário do empreendimento.

A Rádio Independência sempre se identificou com Catolé do Rocha e a região. Sempre esteve na vanguarda das grandes lutas democráticas, assumindo a posição de porta-voz do interesse público e pela construção da cidadania. Por isso, é considerada como um patrimônio da microrregião 89. Assim, estreitam-se ainda mais os laços de respeito e confiança neste mês de maio, quando neste dia 24 se comemoram 33 anos de seu aniversário. Parabéns, Rádio Independência!

Catolé do Rocha(PB), 23 de maio de 2018.








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