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Educação Escândalo

Pastor do MEC pediu 1 kg de ouro em troca de recursos para cidade, diz prefeito

Gabinete paralelo na Educação; entenda

23/03/2022 06h43 Atualizada há 3 meses
Por: Redação
Ministro da Educação, Milton Ribeiro, com os pastores Arilton Moura (ao fundo) e Gilmar Santos em culto em Goiânia (GO); - Reprodução/ redes sociais
Ministro da Educação, Milton Ribeiro, com os pastores Arilton Moura (ao fundo) e Gilmar Santos em culto em Goiânia (GO); - Reprodução/ redes sociais

Segundo Gilberto Braga, prefeito de Luis Domingues (MA), o pastor Arilton Moura pediu ouro como condição de liberar verbas para construção de escolas e creches, logo após reunião com o ministro Milton Ribeiro

Os indícios de corrupção no Ministério da Educação que vieram à tona com a informação de que o ministro Milton Ribeiro mantém um "gabinete paralelo" de pastores na pasta foram reforçados nesta terça-feira (22) a partir de denúncia feita por Gilberto Braga (PSDB), prefeito de Luis Domingues (MA), ao jornal Estadão.  

Segundo Braga, o pastor Arilton Moura o pediu propina de 1 quilo de ouro para liberar recursos MEC destinados à construção escolas e creches em sua cidade.  

"Ele (Arilton Moura) disse: ‘Traz um quilo de ouro para mim’. Eu fiquei calado. Não disse nem que sim nem que não (...) Ele disse que tinha que ver a nossa demanda, de R$ 10 milhões ou mais, tinha que dar R$ 15 mil para ele só protocolar (a demanda no MEC). E na hora que o dinheiro já estivesse empenhado, era para dar um tanto, X. Para mim, como a minha região era área de mineração, ele pediu 1 quilo de ouro”, relatou o prefeito ao periódico paulista. 

A solicitação do pastor teria ocorrido em abril de 2021 durante um almoço em Brasília, logo após uma reunião com o próprio ministro Milton Ribeiro, dentro do MEC. 

“Ele (Arilton) falou, era um papo muito aberto. O negócio estava tão normal lá, que ele não pediu segredo, ele falou no meio de todo mundo. Inclusive, tinha outros prefeitos do Pará. Ele disse: 'olha, para esse daqui eu já mandei tantos milhões, para outro, tantos milhões. Assim mesmo eu permaneci calado, não aceitei a proposta”, disse ainda Gilberto Braga, adicionando que, até hoje, não recebeu os recursos que pediu. 

Ao jornal Estadão, o pastor Arilton Moura negou as denúncias. "Querido, eu nunca participei de reunião para tratar de orçamento, disso que você está falando de escola, de obras. Nunca participei de nenhuma reunião disso. Eu nunca participei de reunião", afirmou. 

Gabinete paralelo na Educação; entenda

Um áudio revelado pela Folha de S. Paulo nesta segunda-feira (21) reforça a tese de que o Ministério da Educação (MEC) foi tomado por um gabinete de pastores que movimentam os recursos de acordo com seus interesses pessoais. Gravação mostra o ministro Milton Ribeiro assumindo que o presidente Jair Bolsonaro pediu que o MEC priorizasse os pedidos feitos por Gilmar Silva dos Santos, presidente da Convenção Nacional de Igrejas e Ministros das Assembleias de Deus no Brasil (CGADB).

"A minha prioridade é atender primeiro os municípios que mais precisam e, em segundo, atender a todos os que são amigos do pastor Gilmar. [...] Foi um pedido especial que o presidente da República fez para mim sobre a questão do Gilmar", diz Ribeiro na conversa.

O áudio revelado em reportagem de Paulo Saldaña, na Folha, foi gravado durante conversa do ministro com prefeitos, Gilmar e Arilton Moura, assessor de Assuntos Políticos da CGADB. Arilton seria, junto de Gilmar, outro membro do chamado "gabinete paralelo" de pastores.

Milton Ribeiro é pastor da Igreja Presbiteriana. Antes de assumir o MEC, o pastor possuía uma série de vídeos no YouTube falando atrocidades que já demonstravam completa incompatibilidade com o cargo. 

Estadão 

 

 

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