Sábado, 07 de Dezembro de 2019
Brasil

Morre mulher atacada pelo ex-companheiro com ácido sulfúrico

Publicada em 26/07/19 às 18:10h - 319 visualizações

por DO G1 PE


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Morreu, na noite da quinta-feira (25), a jovem Mayara Estefanny Araújo, de 19 anos, que teve o corpo atingido por ácido sulfúrico jogado pelo ex-marido e por um amigo dele na Zona Norte do Recife. A vítima estava internada no Hospital da Restauração (HR), no Centro da cidade, desde 4 de julho.

Acusados pelo crime, William César dos Santos Júnior, de 30 anos, ex-companheiro da jovem, e o amigo dele, Paulo Henrique Vieira dos Santos, de 23 anos, estão presos.

A unidade de saúde informou, nesta sexta-feira (26), que a jovem foi vítima de três paradas cardíacas e faleceu às 22h06. Além de ter o rosto e o pescoço atingidos pelo ácido, Mayara também teve os cabelos, o tórax e os membros superiores atingidos pela substância.

O velório e o sepultamento deverão ocorrer em Limoeiro, no Agreste do estado, município em que vive a família da mãe dela.

Vida interrompida pelo machismo, diz mãe

Lamentando a morte de Mayara, a mãe da jovem, Carla Maria, pede que o ex-marido da vítima seja punido. "Espero que a justiça agora seja feita", diz.

"Se ele se arrependeu ou não, agora para mim não interessa porque ele não pensou no filho dele com ela. Ela agora está morta, 19 anos, uma vida inteira pela frente. Ele que interrompeu a vida dela, não foi uma doença, não foi um acidente, não foi nada. Foi ele que interrompeu pelo machismo dele, por não aceitar um não", afirma.

O tio de Mayara, Elpídio Gomes, conta que foi todos os dias ao Hospital da Restauração. "A gente tava na esperança de que ela viesse para casa, né? A gente fez faixa e tudo, tá lá guardada, para dizer que Mayara voltou, mas infelizmente não deu", diz. Segundo ele, a avó de Mayara foi sepultada na quinta.

Na quinta (25), o Ministério Público de Pernambuco (MPPE) havia indiciado o ex-companheiro de Mayara e o amigo dele por tentativa de homicídio qualificado. Por meio de nota enviada nesta sexta (26), o MPPE disse que, com o fato novo, será requisitada a documentação que determina a causa da morte.

Caso seja comprovado que a ação dos dois levou à morte da vítima, explica o Ministério Público, o promotor responsável pode alterar a denúncia para que eles respondam por homicídio qualificado consumado.

Quadro clínico

Segundo a chefe da Unidade de Tratamento Intensivo (UTI) do HR, Fátima Buarque, Mayara se recuperava de forma satisfatória e sua morte foi uma surpresa para a equipe do hospital.

"Nós não esperávamos. Ela foi submetida a uma traqueostomia, que ocorreu de forma satisfatória. À noite, sem nenhum motivo aparente, ela teve a primeira parada cardíaca, mas foi reanimada. Fizemos exames e estavam todos dentro da normalidade. Ela, então, teve outra parada e na terceira, não retornou mais. Foi, realmente, uma fatalidade", afirma.

Ainda segundo Fátima Buarque, Mayara estava sedada, mas retomava a consciência aos poucos. A equipe mantinha a sedação para que ela não caísse da cama ou puxasse os tubos.

"Estou muito triste por isso, porque ela vinha numa recuperação muito boa. Isso abala não só a mim, mas a toda a equipe. Foi uma situação triste para todo mundo, porque foi uma mulher agredida dessa maneira. É o desfecho que nós não queríamos", diz Buarque.

Segundo a Polícia Civil, Mayara chegou a prestar três queixas contra o ex-companheiro num intervalo de 19 dias, antes de o crime acontecer. A jovem também havia pedido uma medida protetiva por ter sido vítima de violência física e psicológica.

Mayara denunciou que William ameaçou matá-la num primeiro momento e, num segundo episódio, a ameaça foi velada, enviada através de um vídeo. Na terceira vez, ele disse à mãe da jovem que ela iria pagar por uma briga com a atual companheira dele.

O crime aconteceu no dia 4 de julho, no Alto do Progresso, em Nova Descoberta, na Zona Norte do Recife. No dia seguinte, o amigo do ex-companheiro de Mayara, Paulo Henrique, foi preso. Outra pessoa foi detida e liberada por não ter ligação com o crime.

O ex-marido de Mayara, com quem ela tinha um filho de 2 anos, ficou foragido por cinco dias e se entregou à Polícia no dia 9 de julho. No dia seguinte, a delegada Bruna Falcão informou que William César disse, em depoimento, que a intenção dele era dar um susto na ex-companheira.

William também alegou ter tido a ideia de utilizar uma substância corrosiva ao manusear ácido sulfúrico para limpar um encanamento de sua casa. A razão do crime, segundo o homem, foi a dificuldade de acesso ao filho do casal, mas a hipótese foi descartada pela polícia após a ouvida de testemunhas. No dia 12 de julho, a Polícia Civil indiciou a dupla por tentativa de feminicídio.

O ex-marido de Mayara era agente de saúde do Recife, mas a Secretaria de Saúde do Recife deu início a um processo para abrir um inquérito administrativo junto à Procuradoria-Geral do Município e pediu afastamento do servidor.




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